Rodrigo Travitzki, 20/12/2010

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Caminho sem estrada

de Rodrigo Travitzki

Pelo caminho do céu não havia estrada
Eu não via nada

Só uma frestinha
Por onde eu lhe via
Metade nua
Metade escondida

Gravado em casa.

Voz: Joana dos Santos
Voz e violão: Rodrigo Travitzki


Rodrigo Travitzki, 14/12/2010

Certa vez ouvi na escola que o homem é um animal racional. Aquilo fazia bastante sentido na época, principalmente porque eu não percebia quantas perguntas haviam dentro desta resposta.

O que é ser racional?

Existe uma só razão?

A razão é sempre lógica?

Um homem que planeja com eficiência a logística do holocausto é racional?

Somos mais animais ou mais racionais?

Mas como um animal pode vir a se tornar racional?

Será que há outros animais racionais?

Como juntar o animal e o racional?


Rodrigo Travitzki, 05/12/2010

RETIRADO DO INSTITUTO JOÃO GOULART:

O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:


1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Fonte: http://www.institutojoaogoulart.org.br/noticia.php?id=1861


Rodrigo Travitzki, 23/11/2010

Numa dessas leituras aleatórias na diagonal, me deparei com este belo trecho que gostaria de compartilhar com vocês.

“Pelo menos no que concerne à antropologia, duas coisas são certas, a longo prazo: uma delas é que estaremos todos mortos; mas a outra é que estaremos todos errados. Evidentemente, uma carreira acadêmica feliz é aquela em que a primeira coisa acontece antes da segunda.”

Marshall Sahlins,
Esperando Foucault, ainda.
São Paulo: Cosac Naify, 2004.


Rodrigo Travitzki, 17/11/2010

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Eu tô legal

de Allan Monteiro e Rodrigo Travitzki

Eu tô legal…
Tô numa boa…
Sossegadão…
Sensacional…

Eu tô tinindo…
Tô tranquilão…
Eu tô sorrindo…
Tô ligadão…

Mas não me iludo
a vida é dura
Se o amor é surdo
eu não vou gritar
pois já disse o especialista
tudo tende a piorar

Talvez no fundo
do meio do mundo
ainda reste algum lugar

Mas eu tô legal…
Tô numa boa…
Sossegadão…
Sensacional…

Eu tô tinindo…
Tô tranquilão…
Eu tô sorrindo…
Tô ligadão…

Ó vaca não se esforce em ir pro brejo
porque o sertão vai virar mar
independente da filosofia
tudo tende a piorar

Mas se eu pudesse
ter esperança
seria belo caminhar

Mas eu tô legal…

Gravado em Campinas, no século passado

Voz e violão: Rodrigo Travitzki
Computador: Denis Koishi


Rodrigo Travitzki, 04/11/2010

Que a pesquisa eleitoral brasileira é uma ciência menos confiável do que a metereologia e o Tarô, isso todos pudemos constatar. Mas Demétrio Magnoli explica porque. A metodologia utilizada pelos institutos brasileiros é arcaica, pior e, é claro, mais barata. Veja mais detalhes abaixo. Continuar lendo isso »


Rodrigo Travitzki, 17/10/2010

Embora o futebol seja uma nobre arte do corpo e um respeitado símbolo nacional, temos que convir que em algumas circunstâncias o esporte bretão seja algo mais próximo da irracionalidade do que da virtude. Nas finais de campeonato, por exemplo, não é raro observar violência gratuita dentro e fora de campo. Chega a ser divertido ouvir as pessoas gritando palavrões pela janela quando alguém faz gol contra um desses times grandes. Nesses momentos eu sempre lembro da definição grega: o homem é um animal racional…

Afinal, por que razão você torce para o time X e não o time Y?

Esta pergunta não tem a menor importância no futebol, embora as pessoas defendam seus times com unhas e dentes. Também não faz muito sentido perguntar por que alguém gosta de rock e não de música clássica. Gosto não se discute. Mas na política esta pergunta é fundamental.

Por que você vota no candidato X e não no Y?

Cada um vai buscar sua resposta, se informar, discutir, ouvir o que os outros têm a dizer, para então escolher de forma consciente seu presidente. Certo?

Bem, infelizmente não é isso que se vê nesse final de campeonato, digo, campanha.

Demissão de jornalistas (Maria Rita Kehl, Gabriel Priolli e Heródoto Barbeiro), Sites/emails extremistas com ligações criminosas, excessos pessoais, milhões desaparecidos, discussões medievais sobre aborto, até Jesus Cristo entrou na roda. Os programas de governo (se é que existem) são sumariamente substituídos pelo marketing. Os candidatos falam o que os supostos indecisos querem ouvir.

Todo tipo de técnicas e falcatruas dominam o jogo. Afinal, gol de mão também vale, é até mais gostoso. Os dois partidos fecharem acordo em algum assunto torna-se, cada vez mais, uma utopia. Os grandes vencedores dessas eleições vem sendo, infelizmente, o obscurantismo e a intolerância fascista.

A campanha de 2010 parece ter tomado uma forma estranha, radicalmente bipolarizada, como uma final de campeonato. É uma briga de torcidas entre o sul e o norte do país, entre classes sociais. A racionalidade deixou o campo desde o começo do segundo tempo e já estamos na prorrogação. Os torcedores mais exaltados parecem movidos mais pelo ódio ao outro do que por amor à própria camisa. No twitter dessa semana, entre os tópicos mais citados no Brasil estavam as tags #SerraMilCaras e #DilmaNao.

Quando muitos estão votando mais contra do que a favor de algo, quando o debate público caminha décadas pra trás, quando a gente evita discussões políticas para não exaltar demais os ânimos, algo não está nada bem. As palavras “petista” e “tucano”, que já serviram para denotar alguma identidade, mesmo que duvidosa, hoje são simplesmente xingamentos, gritos vazios e furiosos das torcidas adversárias nesta final de campeonato, digo, de campanha.

Mais um serviço de utilidade pública do CQC com o mestre da didática, Marcelo Tas. Veja abaixo o que pode acontecer se rolar uma “onda de protesto” de pessoas votando no Tiririca ou coisa do tipo.

E dando uma olhada no twitter do Marcelo Tas, encontramos uma explicação mais detalhada do funcionamento das eleições para deputado. Veja no vídeo abaixo (não estou defendendo este candidato, mas gostei da sua explicação):


Rodrigo Travitzki, 09/09/2010

Você quebrou seus paradigmas e agora ficou na mão?

Foi no fim de semana pro campo aprender respiração holotrófica, fez um curso sobre Fritjof Capra, abriu as portas da percepção e agora não sabe mais como voltar ao mundo real?

Você fez anos de psicanálise, recalcou, projetou, elaborou, descobriu seus maiores medos, traumas, perversidades e agora não consegue mais se olhar no espelho?

Você não reconhece mais a si mesmo? Tudo que gostava não dá mais prazer?

Seu desespero ainda não é tanto para o “fala que eu te escuto”?

Todos os seus problemas acabaram! A solução está mais perto do que você imagina. Seu antigo paradigma, acredite, ainda tem solução!

Contate-nos! Consertamos qualquer paradigma!

Dispomos de uma fabulosa equipe de cientistas, filósofos, jornalistas, neurocientistas e políticos capazes de demonstrar a veracidade de qualquer ideia!

Por que complicar a vida à toa? Conserte já seu paradigma e viva feliz, livre da obsessão contemporânea por novidades vazias.


Rodrigo Travitzki, 09/08/2010

“Nada é tão prático como uma boa teoria”

(Kurt Lewin, um dos fundadores da psicologia social)