Numa dessas leituras aleatórias na diagonal, me deparei com este belo trecho que gostaria de compartilhar com vocês.
“Pelo menos no que concerne à antropologia, duas coisas são certas, a longo prazo: uma delas é que estaremos todos mortos; mas a outra é que estaremos todos errados. Evidentemente, uma carreira acadêmica feliz é aquela em que a primeira coisa acontece antes da segunda.”
Marshall Sahlins,
Esperando Foucault, ainda.
São Paulo: Cosac Naify, 2004.
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de Allan Monteiro e Rodrigo Travitzki
| Eu tô legal… Tô numa boa… Sossegadão… Sensacional… Eu tô tinindo… Mas não me iludo Talvez no fundo Mas eu tô legal… Eu tô tinindo… Ó vaca não se esforce em ir pro brejo Mas se eu pudesse Mas eu tô legal… |
Gravado em Campinas, no século passado
Voz e violão: Rodrigo Travitzki
Computador: Denis Koishi
Que a pesquisa eleitoral brasileira é uma ciência menos confiável do que a metereologia e o Tarô, isso todos pudemos constatar. Mas Demétrio Magnoli explica porque. A metodologia utilizada pelos institutos brasileiros é arcaica, pior e, é claro, mais barata. Veja mais detalhes abaixo. Continuar lendo isso »
Embora o futebol seja uma nobre arte do corpo e um respeitado símbolo nacional, temos que convir que em algumas circunstâncias o esporte bretão seja algo mais próximo da irracionalidade do que da virtude. Nas finais de campeonato, por exemplo, não é raro observar violência gratuita dentro e fora de campo. Chega a ser divertido ouvir as pessoas gritando palavrões pela janela quando alguém faz gol contra um desses times grandes. Nesses momentos eu sempre lembro da definição grega: o homem é um animal racional…
Afinal, por que razão você torce para o time X e não o time Y?
Esta pergunta não tem a menor importância no futebol, embora as pessoas defendam seus times com unhas e dentes. Também não faz muito sentido perguntar por que alguém gosta de rock e não de música clássica. Gosto não se discute. Mas na política esta pergunta é fundamental.
Por que você vota no candidato X e não no Y?
Cada um vai buscar sua resposta, se informar, discutir, ouvir o que os outros têm a dizer, para então escolher de forma consciente seu presidente. Certo?
Bem, infelizmente não é isso que se vê nesse final de campeonato, digo, campanha.
Demissão de jornalistas (Maria Rita Kehl, Gabriel Priolli e Heródoto Barbeiro), Sites/emails extremistas com ligações criminosas, excessos pessoais, milhões desaparecidos, discussões medievais sobre aborto, até Jesus Cristo entrou na roda. Os programas de governo (se é que existem) são sumariamente substituídos pelo marketing. Os candidatos falam o que os supostos indecisos querem ouvir.
Todo tipo de técnicas e falcatruas dominam o jogo. Afinal, gol de mão também vale, é até mais gostoso. Os dois partidos fecharem acordo em algum assunto torna-se, cada vez mais, uma utopia. Os grandes vencedores dessas eleições vem sendo, infelizmente, o obscurantismo e a intolerância fascista.
A campanha de 2010 parece ter tomado uma forma estranha, radicalmente bipolarizada, como uma final de campeonato. É uma briga de torcidas entre o sul e o norte do país, entre classes sociais. A racionalidade deixou o campo desde o começo do segundo tempo e já estamos na prorrogação. Os torcedores mais exaltados parecem movidos mais pelo ódio ao outro do que por amor à própria camisa. No twitter dessa semana, entre os tópicos mais citados no Brasil estavam as tags #SerraMilCaras e #DilmaNao.
Quando muitos estão votando mais contra do que a favor de algo, quando o debate público caminha décadas pra trás, quando a gente evita discussões políticas para não exaltar demais os ânimos, algo não está nada bem. As palavras “petista” e “tucano”, que já serviram para denotar alguma identidade, mesmo que duvidosa, hoje são simplesmente xingamentos, gritos vazios e furiosos das torcidas adversárias nesta final de campeonato, digo, de campanha.
Mais um serviço de utilidade pública do CQC com o mestre da didática, Marcelo Tas. Veja abaixo o que pode acontecer se rolar uma “onda de protesto” de pessoas votando no Tiririca ou coisa do tipo.
E dando uma olhada no twitter do Marcelo Tas, encontramos uma explicação mais detalhada do funcionamento das eleições para deputado. Veja no vídeo abaixo (não estou defendendo este candidato, mas gostei da sua explicação):
Você quebrou seus paradigmas e agora ficou na mão?
Foi no fim de semana pro campo aprender respiração holotrófica, fez um curso sobre Fritjof Capra, abriu as portas da percepção e agora não sabe mais como voltar ao mundo real?
Você fez anos de psicanálise, recalcou, projetou, elaborou, descobriu seus maiores medos, traumas, perversidades e agora não consegue mais se olhar no espelho?
Você não reconhece mais a si mesmo? Tudo que gostava não dá mais prazer?
Seu desespero ainda não é tanto para o “fala que eu te escuto”?
Todos os seus problemas acabaram! A solução está mais perto do que você imagina. Seu antigo paradigma, acredite, ainda tem solução!
Contate-nos! Consertamos qualquer paradigma!
Dispomos de uma fabulosa equipe de cientistas, filósofos, jornalistas, neurocientistas e políticos capazes de demonstrar a veracidade de qualquer ideia!
Por que complicar a vida à toa? Conserte já seu paradigma e viva feliz, livre da obsessão contemporânea por novidades vazias.
“Nada é tão prático como uma boa teoria”
(Kurt Lewin, um dos fundadores da psicologia social)
DEU NO ESTADÃO:
Hábitos saudáveis provavelmente são o fator mais importante para se chegar bem aos 80 anos, mas para sobreviver aos 100 é preciso ajuda do DNA. Isso é o que indica estudo publicado na Science, no qual pesquisadores americanos e italianos encontraram 150 marcadores genéticos ? variações de uma única letra no material genético, espalhadas por todos os cromossomos humanos ? cuja presença permite determinar, com 77% de precisão, se uma pessoa é centenária.
“Suspeitávamos há tempos que a capacidade de viver 20 anos ou mais além dos 80 é, em sua maior parte, ditada pelos genes”, explicou Paola Sebastiani, professora de Bioestatística da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston e autora do estudo. Ela diz que o fato de as 150 variações de DNA encontradas terem permitido identificar centenários com alta precisão indica que a longevidade excepcional tem forte base genética. “O fato é que 15% da população tem a assinatura genética que eleva a chance de viver até os 100 anos entre 65% e 98%”, diz.
Retirado de:
Essa semana estranhei o Roda Viva com o reitor da USP (o primeiro da história que foi escolhido pelo governador e não pela comunidade universitária). Um mar de rosas, sem grandes polêmicas ou perguntas embaraçosas, nada que se parecesse com um legítimo Roda Viva. Pensei “deve ser problema meu, estou muito crítico”.
Depois vi que o Heródoto ia ser substituído pela Marília Gabriela. Estranho. Agora tudo ficou mais claro. E infelizmente, muito mais escuro.
O único reduto minimamente independente de jornalismo televisivo está seriamente ameaçado por José Serra. É o que diz Luis Nassif:
Pedágio derruba mais um jornalista da TV Cultura
“Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.
Ontem, planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aloízio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.
Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.
Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana.
Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.
Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado.” Nassif
Para engrossar o caldo, Paulo Henrique Amorim diz no seu site que Serra ligou duas vezes para a Record pedindo sua cabeça.
Se você quiser saber melhor a estória mal contada do pedágio tucano clique aqui.
Não recomendado para menores de 14 anos.





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