Um novo estudo questiona esta idéia tão comum e naturalizada em nossa sociedade. Uma teoria de 1948 diz que as mulheres seriam “recatadas” para cuidar de seus limitados óvulos, enquanto o homem desperdiçaria espermatozóides por produzí-los em massa. Detalhe, a teoria se fundamentava num estudo feito em moscas. Mas esta idéia parece ser mais antiga, e ainda bastante controversa. O psicólogo Donald A. Dewsbury chamou-a de “paradigma Darwin-Bateman“, que teria 3 princípios:
1- o sucesso reprodutivo dos machos é mais variável do que o das fêmeas;
2- o sucesso reprodutivo dos machos depende mais de “cópulas repetidas” do que o das fêmeas;
3- machos são geralmente mais ávidos a copular e também menos discriminatórios do que as fêmeas.
No entanto, segundo a BBC, um novo estudo indica que a coisa não é tão simples assim. Veja um trecho da reportagem:
“O estudo compilou dados de mais de 10 mil pessoas em 18 países para avaliar a validade de uma teoria de 1948, que afirmou que os homens tenderiam mais naturalmente à busca de um maior número de parceiras possível, enquanto as mulheres seriam mais seletivas nas suas escolhas de parceiros.
A base da teoria de 1948, formulada por Angus Bateman, era um estudo com moscas de frutas, indicando que as moscas macho têm um maior número de parceiros sexuais e de descendentes em comparação às moscas fêmeas.
Segundo Bateman, isso era explicado pelo fato de um simples óvulo ser mais difícil de ser produzido do que um simples espermatozoide, limitando o número de filhos entre as fêmeas ao número de óvulos produzidos, enquanto entre os machos esse limite seria determinado pelo número de parceiras.
Teoria rejeitada
A nova pesquisa, publicada na última edição da revista especializada Trends in Ecology & Evolution, rejeita a teoria de Bateman e sugere que as estratégias humanas para reprodução não seguem um padrão universal único.
O estudo indica, por exemplo, que apesar de o número de filhos e de parceiros serem semelhantes entre homens e mulheres nas sociedades monogâmicas, o mesmo não acontece nas sociedades poligâmicas.
“A visão convencional de machos promíscuos e não discriminatórios e de fêmeas recatadas e selecionadoras também tem sido aplicada para nossa própria espécie, mas isso não parece ser verdade”, afirma a coordenadora do estudo, Gillian Brown, da Escola de Psicologia da Universidade St. Andrews, na Escócia.“
Fontes:
BBC Brasil – Notícias – Pesquisa questiona teoria de propensão masculina à promiscuidade.
Paradigma Darwin-Bateman (inglês)
http://icb.oxfordjournals.org/cgi/content/abstract/45/5/831





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