Que prefeito xingaria de “babaca” a pessoa que doou uma televisão de última geração para a secretaria de educação?
Acabou de passar o “Proteste Já”, que já estava me dando saudades. Como prometido, esse realmente impressionou. A equipe de Marcelo Tas doou uma TV de LCD para a secretaria de educação do município de Barueri, chefiada pelo irmão do prefeito. O aparelho, que deveria ser destinado a uma escola, foi parar na casa de uma família. Tinha um GPS dentro. A reportagem foi uma verdadeira obra-prima, cheia de suspense, mistério, contradições explícitas e, principalmente, terror.
O mais puro terror do ponto de vista político. Em cima da pirâmide, o prefeito que começa chamando todos de babacas como se fosse um coronel de Alagoas que conhecemos bem. Como disse o Danilo, um tipo “bipolar“, bem mais que o desejado para um político. Seu irmão, secretário da educação, muito mais simpático e educado, mas na prática a mesma coisa: contradições no discurso, desculpas esfarrapadas e aquele papo de bom político. Esses caras que a gente não entende como podem ser eleitos pelo povo. Essas cópias baratas do Sarney.
Mas a reportagem foi além da denúncia aos graúdos, à corrupção macro. É triste ver todos os níveis da desonestidade. O cara que diz ser um “sintonizador de TV”, a funcionária que acabou “se demitindo”, estes devem ter se dado mal, estão mais embaixo na “escala Boris Casoy“. Na escola, ninguém achava nada de estranho enquanto a diretora dizia que a TV estava sendo sintonizada há 3 meses. O aparelho de espionagem na TV desmente tudo. De todos que apareceram na reportagem, só uma pessoa concordou haver, de fato, “algo de estranho” naquilo tudo.
Jajá aparece um vídeo no youtube e coloco aqui. A coisa realmente impressiona. “Seu careca babaca” diz o prefeito pro Marcelo Tas, enquanto deveria estar agradecendo por sua ajuda em desvendar desvios na sua administração. Ah, doce ilusão. Isso é a política do coronel, aquele cuja resposta se resume a uma ofensa pessoal, acompanhada de comentários do tipo “a democracia é o que permite a babacas como vocês fazerem babaquices como esta”. Como se fosse um lamento de não poder simplesmente dar um tiro no repórter, como fez o pai do Collor em pleno senado, assassinando um colega.
Mas nem só de Sarneys e Collors vive a corrupção. No sentido original, corrupção quer dizer uma lenta destruição, deixar de ser o que se é. No cotidiano, a corrupção é apenas um vento leve que passa bem perto, não fede, até cheira bem. Dizer que há algum cheiro ruim no ar hoje já não é mais cidadania, é heroísmo.
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