<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blog do Digão &#187; Filosofia</title>
	<atom:link href="http://digao.bio.br/blog/categoria/filosofia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://digao.bio.br/blog</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 09 May 2012 15:58:49 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.2</generator>
		<item>
		<title>Homenagem nietzschiana ao dia da criança</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/homenagem-nietzschiana-ao-dia-da-crianca/1684/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/homenagem-nietzschiana-ao-dia-da-crianca/1684/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 00:52:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=1684</guid>
		<description><![CDATA[Nas palavras de Zaratustra: &#8220;Dizei-me, porém, irmãos: que poderá a criança fazer que não haja podido fazer o leão? Para que será preciso que o altivo leão se mude em criança? A criança é a inocência, e o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Nas palavras de Zaratustra:</p>
<p style="text-align: left;">&#8220;Dizei-me, porém, irmãos: que poderá a criança fazer que não haja podido fazer o leão? Para que será preciso que o altivo leão se mude em criança?</p>
<p style="text-align: left;">A criança é a inocência, e o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação.</p>
<p style="text-align: left;">Sim; para o jogo da criação, meus irmãos, é preciso uma santa afirmação: o espírito quer agora a sua vontade, o que perdeu o mundo quer alcançar o seu mundo.</p>
<p style="text-align: left;">Três transformações do espírito vos mencionei: como o espírito se transformava em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança&#8217;.</p>
<p style="text-align: left;">Assim falava Zaratustra.&#8221;</p>
<p style="text-align: right;">Friedrich Nietzsche</p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/homenagem-nietzschiana-ao-dia-da-crianca/1684/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/homenagem-nietzschiana-ao-dia-da-crianca/1684/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Como assim, &#8220;animal racional&#8221;?</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/como-assim-animal-racional/1496/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/como-assim-animal-racional/1496/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Dec 2010 13:13:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bicho também é gente]]></category>
		<category><![CDATA[Escritos Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=1496</guid>
		<description><![CDATA[Certa vez ouvi na escola que o homem é um animal racional. Aquilo fazia bastante sentido na época, principalmente porque eu não percebia quantas perguntas haviam dentro desta resposta. O que é ser racional? Existe uma só razão? A razão é sempre lógica? Um homem que planeja com eficiência a logística do holocausto é racional? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- p { margin-bottom: 0.21cm; } -->Certa vez ouvi na escola que o homem é um animal racional. Aquilo fazia bastante sentido na época, principalmente porque eu não percebia quantas perguntas haviam dentro desta resposta.</p>
<p>O que é ser racional?</p>
<p>Existe uma só razão?</p>
<p>A razão é sempre lógica?</p>
<p>Um homem que planeja com eficiência a logística do holocausto é racional?</p>
<p>Somos mais animais ou mais racionais?</p>
<p>Mas como um animal pode vir a se tornar racional?</p>
<p>Será que há outros animais racionais?</p>
<p>Como juntar o animal e o racional?</p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/como-assim-animal-racional/1496/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/como-assim-animal-racional/1496/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Oficina de Paradigmas</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/oficina-de-paradigmas/1359/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/oficina-de-paradigmas/1359/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 14:29:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escritos Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=1359</guid>
		<description><![CDATA[Você quebrou seus paradigmas e agora ficou na mão? Foi no fim de semana pro campo aprender respiração holotrófica, fez um curso sobre Fritjof Capra, abriu as portas da percepção e agora não sabe mais como voltar ao mundo real? Você fez anos de psicanálise, recalcou, projetou, elaborou, descobriu seus maiores medos, traumas, perversidades e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Você quebrou seus paradigmas e agora ficou na mão?</strong></p>
<p>Foi no fim de semana pro campo aprender respiração holotrófica, fez um curso sobre Fritjof Capra, abriu as portas da percepção e agora não sabe mais como voltar ao mundo real?</p>
<p>Você fez anos de psicanálise, recalcou, projetou, elaborou, descobriu seus maiores medos, traumas, perversidades e agora não consegue mais se olhar no espelho?</p>
<p>Você não reconhece mais a si mesmo? Tudo que gostava não dá mais prazer?</p>
<p>Seu desespero ainda não é tanto para o &#8220;fala que eu te escuto&#8221;?</p>
<p><strong>Todos os seus problemas acabaram!</strong> A solução está mais perto do que você imagina. Seu antigo paradigma, acredite, ainda tem solução!</p>
<p>Contate-nos! <strong>Consertamos qualquer paradigma!</strong></p>
<p>Dispomos de uma fabulosa equipe de cientistas, filósofos, jornalistas, neurocientistas e políticos capazes de demonstrar a veracidade de qualquer ideia!</p>
<p>Por que complicar a vida à toa? Conserte já seu paradigma e viva feliz, livre da obsessão contemporânea por novidades vazias.</p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/oficina-de-paradigmas/1359/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/oficina-de-paradigmas/1359/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dia do trabalho: e o direito à preguiça?</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/dia-do-trabalho-e-o-direito-a-preguica/1304/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/dia-do-trabalho-e-o-direito-a-preguica/1304/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 01 May 2010 22:44:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=1304</guid>
		<description><![CDATA[Será que é realmente o caso de comemorar o dia do trabalho? O que estamos celebrando? Para alguns, o trabalho dignifica o homem. Para outros não. Veja o início do clássico livro &#8220;O Direito à Preguiça&#8221; (1880) de Paul Lafargue: &#8220;Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Será que é realmente o caso de comemorar o dia do trabalho? O que estamos celebrando? Para alguns, o trabalho dignifica o homem. Para outros não. Veja o início do clássico livro &#8220;O Direito à Preguiça&#8221; (1880) de Paul Lafargue:</p>
<p><em>&#8220;Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho.&#8221;</em></p>
<p>Retirado de <a href="http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/direitopreguica.html">O Direito à Preguiça &#8211; Paul Lafargue</a></p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/dia-do-trabalho-e-o-direito-a-preguica/1304/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/dia-do-trabalho-e-o-direito-a-preguica/1304/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dois tipos de proibição</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/dois-tipos-de-proibicao/1126/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/dois-tipos-de-proibicao/1126/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 17:12:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=1126</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;&#8230; sempre há uma proibição necessária, mas ela é de natureza diferente. Num caso, a idéia de que é preciso impor proibições transcendentes ao ser humano em si mesmo, a fim de defendê-lo de sua própria loucura (ou de seu pecado original) repousa sobre um fundo de pessimismo radical a respeito do humano. Na segunda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;&#8230; sempre há uma proibição necessária, mas ela é de natureza diferente. Num caso, a idéia de que é preciso impor proibições transcendentes ao ser humano em si mesmo, a fim de defendê-lo de sua própria loucura (ou de seu pecado original) repousa sobre um fundo de pessimismo radical a respeito do humano. Na segunda hipótese, o proibido é um momento estruturador da abertura para uma liberdade que não é antinômica em relação à responsabilidade.&#8221;</p>
<p style="text-align: right;">Fonte:</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://diplo.uol.com.br/_Patrick-Viveret_">Patrick Viveret</a> &#8211; É hora de um novo humanismo</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://diplo.uol.com.br/imprima1631">http://diplo.uol.com.br/imprima1631</a></p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/dois-tipos-de-proibicao/1126/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/dois-tipos-de-proibicao/1126/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O que é espírito?</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/o-que-e-espirito/1060/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/o-que-e-espirito/1060/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 13:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Frases]]></category>
		<category><![CDATA[Glossário]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=1060</guid>
		<description><![CDATA[Espírito é o que acontece quando há dois ou mais corpos no mesmo espaço. (inspirado em Henri Bergson e Arnaldo Antunes)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Espírito é o que acontece quando há dois ou mais corpos no mesmo espaço.</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em>(inspirado em Henri Bergson e Arnaldo Antunes)</em></p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/o-que-e-espirito/1060/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/o-que-e-espirito/1060/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Liberdade de imprensa, estado e opinião pública &#8211; Stuart Mill</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/liberdade-de-imprensa-estado-e-opiniao-publica-stuart-mill/770/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/liberdade-de-imprensa-estado-e-opiniao-publica-stuart-mill/770/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 21:20:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=770</guid>
		<description><![CDATA[No artigo &#8220;150 anos de um clássico&#8220;, Venício de Lima chama atenção para o livro &#8220;sobre a liberdade&#8221;, de John Stuart Mill. Em tempos de &#8220;familia Sarney X imprensa&#8221;, é sempre bom lembrar alguns princípios filosóficos. Comenta Venício: &#8220;(&#8230;) A ameaça à liberdade – em particular à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span class="art_tit">No artigo &#8220;150 anos de um clássico</span>&#8220;,<span class="art_autor"> Venício de Lima chama atenção para o livro &#8220;sobre a liberdade&#8221;, </span><span class="art_texto">de John Stuart Mill. Em tempos de &#8220;familia Sarney X imprensa&#8221;, é sempre bom lembrar alguns princípios filosóficos. Comenta Venício:<br />
</span></p>
<p><em><span class="art_texto">&#8220;(&#8230;) A ameaça à liberdade – em particular à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa – tem sido identificada no espaço público agendado pela grande mídia como vindo exclusivamente do Estado, mesmo que estejamos vivendo em um Estado de Direito, no pleno funcionamento das instituições democráticas.</span></em></p>
<p><em>Nada mais oportuno, portanto, do que lembrar que este não era o entendimento de John Stuart Mill em Sobre a Liberdade. Para ele, o poder dos &#8220;costumes&#8221;, da uniformidade do pensamento (hoje talvez ele dissesse, da opinião pública construída, sobretudo, pela grande mídia) constituía a verdadeira ameaça à individualidade, à diversidade e à pluralidade.</em></p>
<p><em>A liberdade de imprensa, no liberalismo de Mill, encontra sua justificativa na medida mesma em que permita a circulação da diversidade e da pluralidade de idéias existentes na sociedade – vale dizer, garanta a universalidade da liberdade de expressão individual ou do direito à comunicação –, condição sine qua non para o aparecimento da verdade, embora nada garanta que ela venha a prevalecer.&#8221;</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Leia tudo no <a href="http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=553JDB003">Observatório da Imprensa</a>.</p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/liberdade-de-imprensa-estado-e-opiniao-publica-stuart-mill/770/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/liberdade-de-imprensa-estado-e-opiniao-publica-stuart-mill/770/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O prazer em Aristóteles</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/o-prazer-em-aristoteles/292/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/o-prazer-em-aristoteles/292/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2009 23:47:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia do cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=292</guid>
		<description><![CDATA[Veja abaixo alguns trechos selecionados do &#8220;Ética a Nicômaco&#8221;: &#8220;Alguns estudiosos dizem que o prazer é o Bem, enquanto outros, ao contrário, dizem que ele é totalmente mau (alguns dizem isto sem dúvida persuadidos de que se trata de um fato, e outros pensando que tem um efeito melhor em nossa vida apresentar o prazer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.astro.rug.nl/~weygaert/"><img class="alignleft" src="http://www.astro.rug.nl/~weygaert/tim1public/athens.plato_aristoteles.jpg" alt="" width="218" height="310" /></a></p>
<p>Veja abaixo alguns trechos selecionados do &#8220;Ética a Nicômaco&#8221;:</p>
<p><em>&#8220;Alguns estudiosos dizem que o prazer é o Bem, enquanto outros, ao contrário, dizem que ele é totalmente mau (alguns dizem isto sem dúvida persuadidos de que se trata de um fato, e outros pensando que tem um efeito melhor em nossa vida apresentar o prazer como uma coisa má, embora ele não seja mau); realmente, a maioria das pessoas, segundo pensam estes últimos, inclina-se para seus prazeres e é escrava deles, razão pela qual as pessoas devem ser conduzidas na direção oposta, pois assim chegarão a um meio-termo. Mas certamente isto não é correto. Na verdade, os argumentos acerca de assuntos relativos às emoções e ações são menos confiáveis que os fatos (&#8230;) se uma pessoa que parece desprezar o prazer é vista alguma vez buscando-o, pensa-se que sua inclinação para ele significa que todo prazer é desejável (as pessoas em sua maioria não são capazes de diferenciar).&#8221; pg. 299</em></p>
<p><em>&#8220;É claro que há um prazer inerente a cada sentido, pois dizemos que coisas vistas e ouvidas são agradáveis. Também é claro que o prazer ocorre principalmente quando o sentido está em suas melhores condições e está em atividade em relação ao melhor objeto; quando o objeto e o sentido que o percebe são excelentes, há sempre prazer, já que o agente e o paciente ideais estão presentes.&#8221; pg. 305</em></p>
<p><em>&#8220;Como explicar então o fato de ninguém sentir prazer continuamente? Será que nos cansamos, já que nenhuma atividade humana admite uma ação contínua? O prazer, portanto, não é contínuo, pois ele acompanha a atividade. Algumas coisas nos deleitam quando são novas, porém depois, pela mesma ração, não nos deleitam tanto&#8221; pg. 305</em></p>
<p><em>&#8220;Pensa-se que cada animal tem seu prazer peculiar, da mesma forma que tem uma função peculiar, ou seja, a que corresponde à sua atividade. Se pesquisarmos espécie por espécie isto se tornará evidente; o cavalo, o cão e o homem têm prazeres diferentes &#8211; como diz Heráclito, &#8220;os asnos preferem o feno ao ouro&#8221; pg. 307</em></p>
<p><em>&#8220;são preciosas e agradáveis as coisas que assim parecem às pessoas boas; e para cada pessoa a atividade conforme à sua própria disposição é mais desejável, e conseqüentemente é mais desejável para as pessoas boas aquilo que é conforme à excelência moral. A felicidade, então, não está no entretenimento; seria realmente estranho se o objetivo final da vida fosse o entretenimento&#8221;</em> pg. 309</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: right;">Fonte:</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: right;">ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Livro X. In “Coleção Os Pensadores”, ed. Nova Cultural, São Paulo, 1996.</p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/o-prazer-em-aristoteles/292/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/o-prazer-em-aristoteles/292/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Difusão e aprisionamento da informação: da democracia à alma</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/difusao-e-aprisionamento-da-informacao-da-democracia-a-alma/148/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/difusao-e-aprisionamento-da-informacao-da-democracia-a-alma/148/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Jan 2009 09:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escritos Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=148</guid>
		<description><![CDATA[Algumas reflexões soltas para começar o ano com o pensamento livre. Falamos muito em democracia e em sociedade da informação sem saber muito bem o que são essas coisas. Democracia é fácil de definir, simplesmente pela etimologia. Informação já não é tão simples (ou talvez seja simples demais). É uma daquelas palavras fáceis de se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas reflexões soltas para começar o ano com o pensamento livre.</p>
<p>Falamos muito em democracia e em sociedade da informação sem saber muito bem o que são essas coisas. Democracia é fácil de definir, simplesmente pela etimologia. Informação já não é tão simples (ou talvez seja simples demais). É uma daquelas palavras fáceis de se colocar numa frase mas difíceis de se definir. Como tempo, energia, razão ou amor.</p>
<p>Pensemos um pouco sobre a informação.</p>
<p>Sua tendência básica, como da energia, é se difundir, dissipar, espalhar-se pelo mundo, expandir sua existência. É sua pulsão mais primitiva. O que lhe dá mais prazer. Vamos partir deste pressuposto. Podemos também considerar que quanto mais verdadeira (ou adequada, ou informativa) for uma informação, mais facilmente ela se dissipará pelo mundo.</p>
<p>Numa suposta democracia perfeita, a informação se dissiparia com facilidade infinita, sem atrito, por sua própria natureza. Todos teriam acesso a todas as informações, o estado seria completamente transparente, e isso não seria algo tão difícil de se manter.</p>
<p>Nesta democracia, a economia deveria ser transparente também, pois as coisas se conectam. Assim, as empresas deveriam publicar em detalhes seus orçamentos, e os supermercados colocariam seu lucro nos preços. As pequenas e grandes empresas teriam chances menos desiguais, com mecanismos como a comparação de preços (e outras informações) por sites especializados da internet.</p>
<p>Muito bonito, tudo isso. Mas vamos voltar um pouco pro mundo.<br />
É claro que existem forças opostas a esta pulsão básica, a tendência natural da informação a se espalhar. Existem forças que fazem as informações ficarem agrupadas em blocos, de maneira que só algumas se dissipem para o meio, enquanto outras ficam mais protegidas no miolo, sem contato com o mundo exterior. As informações secretas.<br />
Faz algum sentido. Mas que exemplos teríamos desta idéia?</p>
<p>A patente é um. O direito privado à informação que estimula a criatividade e o empreendedorismo. Os sites privados são outro interessante exemplo, pois há pelo menos dois mecanismos para que alguém possa ganhar o acesso a conteúdos restritos. Um deles é pagando, claro. E o outro meio é por indicação de alguém. Há vários sites que funcionam assim, como as velhas seitas e sociedades secretas, por indicação de um membro do grupo. Aparentemente, são dois mecanismos bem sucedidos no mundo humano para se regular a dissipação da informação.</p>
<p>Todos estes exemplos seguem o mesmo princípio: ganhar na competição. Afinal, informação é condição básica para o conhecimento e conhecimento é poder. E se no mundo há competição, é preciso ter poder, ter algum conhecimento que o outro não tem. Os esquilos escondem nozes em lugares secretos, assim como os cães fazem com os ossos. As espécies de formiga apresentam diferentes padrões de comunicação por ferormônios, e um dos motivos talvez seja que o comportamento esteriotipado facilita o parasitismo. Lembro duma espécie de formiga que é &#8220;escravizada&#8221; por outra &#8211; ela imita os padrões hormonais da rainha, entra no formigueiro e mata a soberana original. A partir daí as as operárias cuidam dela e dos ovos, dando alimento e protegendo com a própria vida. No final, a espécie antiga é substituída pela nova no formigueiro. Isso me lembra, bem de longe, a busca por sistemas de codificação cada vez mais sofisticados na guerra, no mercado, na internet. Ou aquela prima que nunca mostrava seu &#8220;querido diário&#8221; pra mim.</p>
<p>A necessidade de continuar vivo num mundo onde existe competição leva os seres a guardarem informações importantes em lugares secretos, impedindo-a de se espalhar como queria. É o aprisionamento da informação.</p>
<p>Isso me lembra, por incrível que pareça, o princípio neurológico de Freud para a relação entre a quantidade de energia nos neurônios e a busca pelo prazer (agradeço às aulas do prof. Richard Simanke). A tendência natural do sistema é buscar o prazer, se livrar da energia, e portanto chegar a um nível zero de energia. Mas para estar vivo, o sistema precisa guardar um pouco de energia, pois a vida requer a estabilidade do organismo em um mundo instável. Assim, ele precisa de certa energia acumulada para momentos de necessidade, não pode depender apenas de fontes externas. Porque não dá para obter energia instantaneamente, como num passe de mágicas. Aliás, na maioria das vezes é preciso energia para se obter energia. A energia e a informação apresentam muitos paralelos&#8230;</p>
<p>Bem, que outras forças poderiam estar prendendo a informação, além do interesse egocentrado dos seres vivos?</p>
<p>Às vezes não falamos uma coisa para alguém porque achamos que a pessoa não vai entender direito. Outras vezes achamos que é melhor pra ela não saber certas coisas.</p>
<p>Nestes momentos estamos aprisionando a informação por motivos não necessariamente egoístas. O que isso significa? Não faço a menor idéia, mas sinto cheiro de que pode ser alguma coisa.</p>
<p>Ainda dá para lembrar outro tipo de barreira para a suposta tendência natural de dissipação da informação. É uma idéia mais radical, concebida pelo matemático e filósofo Leibniz (1646—1716) a chamada mônada. Como se sabe, Descartes imaginava haver duas substâncias no mundo (uma pensante outra espacial) misteriosamente comunicáveis no ser humano. Espinosa defendia a existência de apenas uma substância, a substância divina. Leibniz teve uma idéia mais maluca. Casa coisa teria uma substância própria. Uma mônada. E mais do que isso. Ele não aceitava a &#8220;comunicação misteriosa entre diferentes substâncias&#8221; como Descartes, então acabou caindo na conclusão lógica mais próxima. As mônadas não se comunicam. A aparente comunicação entre as coisas viria de uma pré-programação minuciosamente arquitetada por uma inteligência infinita no início dos tempos.</p>
<p>Algo do tipo, pois para entender direito os filósofos a gente precisa ler eles mesmos. O que não deixa de ser mais um exemplo do aprisionamento da informação. A sutileza do signicado das coisas. A necessidade de proteção do verdadeiro signicado, da verdade, não absoluta e eterna, mas real e enraizada em seu tempo. Como o mestre que sabe o quanto deve ensinar para cada discípulo, pois conhece as possíveis consequências de cada conhecimento que possui. Aí é preciso confiar no mestre, com o nível de explicação que ele resolve te dar, ou abandoná-lo.</p>
<p>A própria alma humana parece estar relacionada ao aprisionamento da informação. Pelo menos se concebemos a alma como uma espécie de &#8220;personalidade individual eterna e imutável&#8221;, com suas manifestações exteriores mas também seus segredos e pensamentos inconscientes. A experiência privada que cada um tem do próprio pensamento, sensações. Tudo isso leva à idéia de que a alma se fundamenta no aprisionamento da informação.</p>
<p>Mas outra maneira de pensar é que essa personalidade, esse ego, são ilusões a serem superadas. Ou ainda que se constituem, na verdade, em pontos do nosso ser que estão em intensa relação com o mundo à nossa volta. Quiçá com o universo. A alma, neste sentido, seria resultado de informações que vieram de diversos pontos do mundo, de onde se espalharam e chegaram até nós. Nossa alma vai se enriquecendo delas, se tornando mais nossa ao mesmo tempo em que vai se tornando mais cósmica.</p>
<p>Feliz ano novo. Que o tempo não seja reduzido a um nada entre um instante e outro.</p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/difusao-e-aprisionamento-da-informacao-da-democracia-a-alma/148/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/difusao-e-aprisionamento-da-informacao-da-democracia-a-alma/148/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Podemos &#8220;ler pensamentos&#8221; observando imagens computadorizadas do cérebro?</title>
		<link>http://digao.bio.br/blog/podemos-ler-pensamentos-observando-imagens-computadorizadas-do-cerebro/162/</link>
		<comments>http://digao.bio.br/blog/podemos-ler-pensamentos-observando-imagens-computadorizadas-do-cerebro/162/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 04:24:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Travitzki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cérebro nosso]]></category>
		<category><![CDATA[Escritos Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://digao.bio.br/blog/?p=162</guid>
		<description><![CDATA[tomografia por emissão de pósitrons (PET) tomografia por emissão de fóton único (SPECT) Ressonância Magnética funcional (RMf) Tomografia axial computarizada (TAC) O que significa esse monte de imagens cerebrais que começou a inundar nosso cotidiano? Os neurocientistas hoje dispõe de muitas ferramentas antes sequer imaginadas pelos curiosos sobre o cérebro e o pensamento humano. Podem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>tomografia por emissão de pósitrons (PET)<br />
tomografia por emissão de fóton único (SPECT)<br />
Ressonância Magnética funcional (RMf)<br />
Tomografia axial computarizada (TAC)</em></p>
<p>O que significa esse monte de imagens cerebrais que começou a inundar nosso cotidiano?<br />
Os neurocientistas hoje dispõe de muitas ferramentas antes sequer imaginadas pelos curiosos sobre o cérebro e o pensamento humano.</p>
<p>Podem fazer imagens do cérebro em três dimensões, através de computadores que unificam informações obtidas por medições cerebrais em camadas (tomografia). As camadas podem ser imagens do fluxo sanguíneo, de atividade eletromagnética, ou simplesmente do formato do órgão, como na radiografia. Mas a maioria das imagens de atividade cerebral que chegam a nós está mais para o resultado de um cálculo do que a foto de um momento. Isto porque, em geral, as imagens mais esclarecedoras do funcionamento cerebral (compare as duas deste post) são obtidas pela unificação matemática de muitas outras, tipo soma e subtração. Não há qualquer problema nisso, muito pelo contrário, daí podemos imaginar muitas soluções. O que não podemos é confundir o resultado de um cálculo específico (escolhido por alguém) com uma foto. Confundir teoria com fato. Bem, dada esta introdução metodológica, continuemos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.google.com.br/"><img src="http://amadeo.blog.com/repository/173550/438459.gif" alt="foto do cérebro" width="207" height="202" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Isto é uma &#8220;foto&#8221;</em></p>
<p>Tendo tantas ferramentas (materiais e simbólicas) para criar imagens cerebrais, os neurocientistas descobrem cada vez mais detalhes sobre os processos cerebrais. Detalhes muitas vezes impressionantes, até mesmo compreensíveis e úteis (se você investir algum tempo nisso).</p>
<p>Mas isso não quer dizer que estamos compreendendo o funcionamento do cérebro, que a neurociência atual tem um modelo adequado para explicar e articular seus diferentes fatos. Quer dizer apenas que já conseguimos fazer ótimas medições e cálculos, já conseguimos encontrar diversas correlações entre as médias de fenômenos psíquicos e fenômenos cerebrais.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.google.com.br/"><img src="http://www.cerebromente.org.br/n01/pet/pettrans.gif" alt="PET-SCAN não é foto" width="233" height="216" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Cada uma destas 6 imagens é o resultado<br />
de &#8220;somas e subtrações&#8221; de muitas &#8220;fotos&#8221;.</em></p>
<p>Um curioso argumento para esta idéia me ocorreu durante visita dos nobres colegas Perê e Dinho. Correu a estória de que alguém estava fazendo uns estudos matemáticos para detectar o &#8220;estresse do ambiente&#8221;. Tipo assim. O cara media barulho, movimento das pessoas, coisas do tipo. Aí comparava momentos em que ele considerava haver estresse, partindo de algum critério. Com o tempo, e a análise matemática computadorizada, ele conseguiu fazer com que o computador detectasse os &#8220;momentos de estresse do ambiente&#8221; (segundo seus próprios critérios). Ou seja, ele adestrou o computador a classificar certos padrões coletivos de variáveis de forma semelhante à sua própria. Ensinou a máquina a imitá-lo.</p>
<p>Acho que dá para fazer muitas analogias entre o paragrafo anterior, sobre detecção do estresse ambiental, e a detecção de estresse cerebral. Tente você mesmo, volte um pouco e releia.</p>
<p>A primeira pergunta que me vem é: dizer que há estresse no cérebro é tão inadequado quanto dizer que há estresse no ambiente? Acho que sim.<br />
Detectar melhor é o mesmo que compreender melhor? Não necessariamente.</p>
<p>Quando lemos que Nicolelis fez os macacos moverem braços mecânicos com o pensamento, quer dizer que dá para ver os pensamentos olhando o cérebro? Será possível, no futuro, fazer um download de suas lembranças? Acho difícil? Por que nem a primeira pergunta parece ser verdade. Fazer um braço obedecer adequadamente aos padrões cerebrais quer dizer que o computador, em certas condições, conseguiu ver o pensamento lendo o cérebro.</p>
<p>Esse &#8220;certas condições&#8221; é a palavra chave para entendermos o engano. A diferença entre uma lógica indutiva e uma dedutiva. Esquecer estas duas palavras é o que leva uma pessoa a afirmar mais do que realmente sabe, nem ao menos se dar conta. Ignorar as condições particulares de cada fato pode levar ao preconceito, por exemplo. Por outro lado, conhecer as condições dos fatos e os limites do racicínio pode levar belas construções humanas, como a ciência moderna.</p>
<p>Vamos então juntar os dois parágrafos anteriores, aplicando os princípios do segundo na concretude do primeiro.<br />
Vejamos o beabá.<br />
Fato: o computador leu adequadamente o pensamento do macaco vendo seu cérebro, em certas condições. Idéia generalizadora (de onde vem as leis científicas e o preconceito): o computador leu adequadamente os pensamentos vendo o cérebro do macaco. Generalizando ainda mais: o computador lê adequadamente o cérebro do macaco. Ou, por outra via de generalização: o computador leu adequadamente o cérebro dos primatas.</p>
<p>Ou seja: o computador sabe ler pensamentos de macacos ou sabe ler esses pensamentos desses macacos? Macacos de hábitos condicionados (talvez pensamentos também) cujos cérebros foram anteriormente analizados via computadores. A conquista de Nicolelis, mesmo com todas estas limitações, é um feito impressionante, admirável. Mas confundí-la com o início de uma tecnologia para &#8220;download de lembranças&#8221; é como tratar um urso de pelúcia como ser vivo.</p>
<p>Do fato à idéia, do olho à imaginação, as coisas ficam maiores, mais amplas. Mas para isso se preenchem de uma matéria inconsistente, pouco garantida, que pode dissolver-se no ar. A idéia nunca é tão garantida quanto o fato observado.</p>
<p>Acho que isso está acontecendo agora com a opinião pública sobre as ciências do cérebro. As pessoas olham aquelas imagens cerebrais bonitas e se satisfazem facilmente, como se estivessem sedentas por ver fotos do próprio pensamento. Mas volto a dizer, a maioria das imagens cerebrais não é foto, e sim o resultado de cálculos. Não é fato, mas idéia. E idéias com grande diversidade. A quantidade de informações detalhas e de teorias sobre o cérebro é impressionante, e em qualquer lugar que se olhe há muitas lacunas, muitos mistérios, muito caminho a ser percorrido até que a neurociência possa chegar próxima ao imaginário popular atual. As pessoas acham que se um computador &#8220;leu um pensamento de uma pessoa&#8221; então o computador pode ler pensamentos &#8211; detectando padrões cerebrais. Aí seria razoável pensar que ele poderá ler e arquivar tais pensamentos. Mas não é isso o que está de fato se desenrolando na neurociência atual.</p>
<p>Até aqui, tudo bem, são apenas reflexões, especulações. O problema é que confundir incerteza com certeza pode ser muito perigoso quando se vai tomar decisões. A fé cega numa ciência ainda prematura pode muitas vezes nos desviar do bom senso, testado e aprovado por gerações de pessoas tão inteligentes quanto nós. Um desvio que pode inclusive interessar aos acumuladores de capital. Enfim, por aí vai.</p>
<p>Bem, então o que dizer?</p>
<p>Cuide do seu cérebro, claro. Do corpo todo, do seu mundo. Mas isto não significa entrar no primeiro curso de &#8220;neuróbica&#8221; que aparecer no 011-1406. Ou comprar um chip de neuro-memória na Santa Efigênia de 2090. O cuidado com o cérebro, com a saúde em geral e mental, é uma antiga arte. Ou melhor, várias. Novos aprendizados aparecem a cada dia, mas é apenas com o tempo que eles se consolidam em sabedoria.</p>
<p>Não se deixe enganar pelas imagens. Use sempre a imaginação.</p>
<fb:like href='http://digao.bio.br/blog/podemos-ler-pensamentos-observando-imagens-computadorizadas-do-cerebro/162/' send='false' layout='standard' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://digao.bio.br/blog/podemos-ler-pensamentos-observando-imagens-computadorizadas-do-cerebro/162/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

