Rodrigo Travitzki, 24/03/2009

Estão querendo tirar a única tv que presta neste estado. Jornalismo livre, programação inteligente, programas infantis que não fazem mal às crianças… tudo isso tem na cultura. Imagine se o Roda Viva se preocupasse em aumentar a audiência. Que perda para a cultura nacional.

Deixamos aqui nosso apoio ao Markun e à galera da tv cultura, e nosso repúdio à proposta do secretário Lobo.

Veja mais delhates abaixo:

Secretário de Relações Institucionais do governador José Serra e presidente do PSDB paulistano, o advogado José Henrique Reis Lobo, 65, sacudiu o conselho curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura.
Em carta enviada aos conselheiros (são 47), Lobo questionou a falta de preocupação com a baixa audiência da emissora e defendeu a implosão do próprio conselho, além da “profissionalização” da diretoria executiva, presidida por Paulo Markun. A Cultura tem média atual de só 1,4 ponto no Ibope da Grande SP, equivalente a 80 mil domicílios sintonizados na emissora por minuto.”

DANIEL CASTRO
Secretário do governo prega implosão do sistema de gestão da emissora e critica aparente desprezo pela audiência (Folha 17/3/09)

“Não faz sentido fazer TV para ninguém.” Markun enfatiza que a baixa audiência não é um problema exclusivo da TV Cultura, mas de várias emissoras públicas que não seguem lógica comercial, como a PBS, dos EUA.

Ele avalia que a Cultura apresenta “um bom resultado” na relação custo-benefício e que “está acima da média no que diz respeito a gastar bem o dinheiro”. Segundo Markun, a emissora custa 50 vezes menos do que a Globo, mas sua audiência é só 17 vezes menor.”

Daniel Castro
Presidente da TV Cultura rebate acusações de secretário (Folha, 17/3/09)

  • F.A.B.U.

    2009APR04
    BLOGDIGO

    Cacique do PSDB ameaça liberdade da TV cultura.

    Qual liberdade ? Qual Cultura ? Qual TV ?

    Tudo certo.

    Senão vejamos:

    Tudo parece indicar que o Secretário Lobo, e não faltarão os detratores insidiosos de sempre para taxa-lo de homini lupus, exercita o solene, inalienável, e – decerto sobretudo – sagrado, direito de reiterar o domínio da classe dominante para continuar dominando a classe dominada.

    Nesse ponto, hemos de convir, embora dando a munheca a torcer, até que tinha uma certa razãozinha o barbudo Carlos aquele, ao aplicar Hegel aos meandros sociais, por mais que os liberais esclarecidos saibamos melhor, e que às altas togas acadêmicas de hoje possam repugnar as idéias temerárias daquele iconoclasta abjeto, fedido e piolhento.

    Que mais se poderia esperar daquelas perambulações de judeu errante entre a Renânia e a provecta Albion ?
    Pior e mais arriscado que um jovem enérgico e curioso, só mesmo um andarilho rebelde, com causa.

    Sabe-se que a cultura se mede em pontos de audiência. Ou, no caso, pontos de vidência.
    Assim, mais que um direito, a mercantilização da Cultura constitui o inarredável dever do Secretário.
    Essa conversa de qualidade cultural é coisa de quem não sabe o preço das coisas.

    Vejam que maravilha se a TV Cultura tomasse vergonha na cara e produzisse um programa de bons índices comerciais pautado no êxito da concorrência, nos moldes do edificante “B.B.B.”, por exemplo, um “C.C.C.”, se logo-logo não subiria nas bolsas Do Mundo a cotação dos nossos papéis, permitindo aos virtuosos monetaristas no Governo privatizar esse antro de idéias estreitas, e ainda auferir bom dinheiro para os combalidos cofres do Estado, que permitissem, por exemplo, a edificação tão premente de novos complexos penitenciários para a nossa combalida classe de delinquentes apenados, até hoje Sem Jaula !

    Sem tugir e nem mugir, ainda hoje acomodados interinamente em precárias cadeias de bairro, essa classe tão sacrificada e desprestigiada ainda aguarda vagas que poderiam existir em instituições-modelo, dotados dos confortos modernos, tais como oficinas de produção industrial que custeassem as despesas, complexos esportivos que revelassem novos talentos para venda aos clubes do exterior, tratamento psiquiátrico intensivo das desordens mentais, clínicas de esterilização indolor, e até – quiçá – a reprogramação genética dos infratores, que ao fim e ao cabo não têm culpa de haver nascido bandidos.

    Por outro lado, parece haver esperança, pois conforme citado no prestigioso diário da “Falha de São Paulo”, faz bem o diretor-executivo em entrar no jogo das justificativas econométricas, comparando-se a outras emissoras.

    Ressalvadas as exceções que confirmam a regra, firmo certo do unânime endosso de vossos cultos leitores.

    Anauê !

    Francisco Adolfo Benito de Ugarte