Rodrigo Travitzki, 08/06/2008

A criança nova que habita onde vivo

dá-me uma mão a mim

e outra a tudo que existe

E assim vamos os três pelo caminho que houver,

saltando e cantando e rindo

e gozando o nosso segredo comum

que é o de saber por toda a parte

que não há mistério no mundo

e que tudo vale a pena

Poesia de Alberto Caeiro
(heterônimo de Fernando Pessoa)

  • j.

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    A gente se negava corromper-se aos bons
    costumes.
    A gente examinava a racha dura das lagartixas
    Só para brincar de ciência.
    A gente grosava a peça dos morcegos com o
    lado cego das facas
    Só pra vê-los chiar com mais entusiasmo.
    Fazíamos meninagem com as priminhas à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais
    Só em homenagem do nosso Casimiro de Abreu,
    Não era mister de ser versado em Kant pra se
    saber que os passarinhos da mesma plumagem
    voam juntos.
    Nem era preciso ser versado em Darwin pra se
    saber que os carrapichos não pregam no vento.
    Que, apois:
    Sábio não é o homem que inventou a primeira
    bomba atômica.
    Sábio é o menino que inventou a primeira
    lagartixa.

    (Manoel de Barros – Retrato do artista quando coisa)