O mimetismo é uma estratégia de sobrevivência bem sucedida há milhões de anos (quiçá bilhões). Segundo o Houaiss, mimetismo é:
“1-Rubrica: ecologia.
adaptação na qual um organismo possui características que o confundem com um indivíduo de outra espécie
2-Derivação: sentido figurado.
processo pelo qual um ser se ajusta a uma nova situação; adaptação
Ex.: m. político“
O mimetismo não é, portanto, uma mera camuflagem. É uma imitação intencional, uma tentativa de ser confundido com outro. Curiosamente, o exemplo do sentido figurado é político. Será que os políticos praticam muito o mimetismo?
Um exemplo conhecido de mimetismo é a cobra coral falsa (à direita). A vantagem dela é que não precisa ficar produzindo veneno à toa, nem se esforçar para “ganhar o respeito” do resto da fauna. A ela basta fingir ser uma cobra coral verdadeira, que todas estas regalias vêm com o pacote.
Bem, na natureza o mimetismo é algo bonito de se ver, desde que não sejamos picados por uma aranha que fingia ser mosquito. Mas na sociedade a imitação pode não ser tão desejável.
Imagine, por exemplo, que uma instituição tenha demorado muito para garantir certo prestígio entre as pessoas. Como a coral verdadeira. Tudo bem, prestígio não é tudo, e nada garante uma ética cem porcento. Mas é bom saber que as instituições se esforçam, em alguma medida, para serem bem vistas por nós, os compradores/clientes/cidadãos.
Agora imagine que uma furreca véia do fundo do quintal (ou algo maior e mais maquiavélico) começe a fingir que é uma instituição de respeito. O resultado podemos ver no nosso cotidiano, é só prestar atenção. A burrice está na mesa. Só para documentar, recolhi um dos milhares de exemplos de mimetismo marketosco que rondam nossa vista.







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